Dr. Michael Minsu Shu · CRM-SP 170385 · RQE 128759 (Ortopedia e Traumatologia) · Revisado em 21/10/2026
A endoscopia de coluna é uma cirurgia que trata hérnia de disco, estenose do canal e outras doenças degenerativas da coluna por uma ou duas incisões de cerca de 1 cm, com uma câmera e instrumentos finos. Ela faz a mesma descompressão do nervo que a cirurgia aberta, machucando menos músculo. Os estudos mostram resultado equivalente ao da microcirurgia, com internação mais curta e menos infecção[1, 2]. Em média, meus pacientes recebem alta em cerca de 1 dia.
A endoscopia de coluna é uma cirurgia que tira o que comprime o nervo (osso, ligamento ou disco) com uma câmera de alta definição dentro do corpo, por uma incisão de cerca de 1 cm.
A comparação comum é com a artroscopia do joelho. A gente trabalha olhando o monitor, com soro correndo o tempo todo pela câmera. O soro limpa o campo, e a imagem ampliada dá um controle milimétrico do que é retirado.

Faço questão de dizer: endoscopia de coluna é cirurgia, não "procedimento". Tem incisão e anestesia, por menor que seja. O Prof. Kang Tae-hoon, ortopedista da Universidade Nacional de Seul, resume assim em aula de 2026: "mesmo feita por endoscopia, é cirurgia".
Na minha visão, a endoscopia é a evolução das técnicas minimamente invasivas. Com o tempo, ela tende a ocupar o espaço da cirurgia aberta, que fica para indicações específicas.
Na endoscopia uniportal, a câmera e os instrumentos entram juntos, por uma única incisão. Na biportal, conhecida pela sigla UBE (do inglês unilateral biportal endoscopy), são duas incisões pequenas: uma para a câmera e outra para os instrumentos.
| Uniportal | Biportal (UBE) | |
|---|---|---|
| Incisões | 1, de cerca de 1 cm | 2, de cerca de 1 cm cada |
| Câmera e instrumentos | no mesmo tubo | por portais separados |
| Resultado clínico e complicações | semelhantes[4, 5] | semelhantes[4, 5] |


Duas metanálises, de 2023 e 2024, não acharam diferença na maioria dos resultados clínicos nem nas complicações entre as duas técnicas; as diferenças apareceram em poucos pontos, como tempo de cirurgia, sangramento e internação[4, 5]. A escolha, hoje, depende da preferência do cirurgião. O Dr. Heo Dong-hwa, neurocirurgião do Hospital Cheongdam Harrison, em Seul, diz em vídeo de 2024 que o importante é qual endoscópio o cirurgião domina.
Concordo com ele. O que importa é o cirurgião ter domínio e proficiência da técnica, mais do que qual técnica escolheu. Por isso, acredito que o cirurgião deve aprender as duas: é um arsenal maior.
A endoscopia trata hérnia de disco, estenose do canal (o estreitamento por onde passam os nervos), cistos, reoperações e espondilolistese, com artrodese endoscópica. Na coluna cervical, trata por trás as hérnias e as compressões da medula, sem fixar as vértebras[12, 23].
Faço todas essas cirurgias, inclusive a artrodese por via endoscópica. Na minha visão, em toda doença degenerativa da coluna sem instabilidade grosseira ou deformidade muito importante, a endoscopia deve ser considerada primeiro, por ser a forma menos invasiva de resolver o problema. O Dr. Heo Dong-hwa, neurocirurgião do Hospital Cheongdam Harrison, em Seul, estima, em aula de 2026, que mais de 90% das doenças degenerativas com indicação de cirurgia podem ser tratadas por endoscopia. Concordo com essa visão.
Na minha prática, a microcirurgia continua com papel em doenças muito extensas (4 níveis ou mais), deformidades e tumores. Infecção e trauma grave também ficam fora. "A endoscopia é universal? Mesmo sendo minha especialidade, de jeito nenhum", diz o Dr. Park Man-gyu, neurocirurgião do Hospital Hue, em Busan, em aula de 2026.
A indicação de cirurgia é a mesma da cirurgia tradicional, como lembra o Dr. Heo em vídeo de 2024. O tratamento começa sem cirurgia, e a endoscopia muda a forma de operar, não o motivo.
Sim. A PSLD (do inglês percutaneous stenoscopic lumbar decompression) é uma técnica uniportal que descomprime de 1 a 3 níveis de estenose lombar por uma única incisão. Com a endoscopia biportal, também é possível tratar vários níveis de maneira eficiente.
Em um estudo coreano de 2019 do Dr. Kang Taek Lim e colegas, com 450 pacientes, o canal ficou 52% mais largo na ressonância, com melhora da dor e da função[3]. Na biportal, que usa pelo menos duas incisões, um estudo de 2025 acompanhou 196 pacientes com estenose por 5 anos: os operados em vários níveis tiveram resultados, complicações e reoperações iguais aos de um nível só, mas com um pós-operatório mais longo[24]. Na minha experiência, essa diferença costuma ser pequena.
O Dr. Kang Taek Lim é um dos cirurgiões com quem me formei na Coreia do Sul, e sou pioneiro da PSLD no Brasil: trouxe a técnica para cá em 2024. Desde 2025, também dou aulas em cursos práticos de endoscopia biportal em São Paulo. Na estenose, a PSLD é a técnica que prefiro, pela velocidade e pela eficiência.


Nas imagens, de um paciente meu com estenose em 3 níveis, o círculo vermelho mostra o canal apertado antes, e o verde, o canal aberto depois.
A PSLD é indicada na estenose que não melhorou com tratamento sem cirurgia. Os resultados variam de paciente para paciente. Nervo comprimido há muito tempo, fraqueza antiga e outras doenças podem limitar a melhora. Os riscos são os de qualquer cirurgia de coluna, como lesão da dura-máter, hematoma, infecção e formigamento passageiro.

O resultado final é equivalente: as três técnicas buscam aliviar a dor e recuperar a função do nervo[1, 6, 19, 20]. A endoscopia chega lá com menos dano ao músculo, internação mais curta, menos infecção e menos sangramento[1, 2, 6, 7, 21].
| O que os estudos mostram na hérnia de disco | Endoscopia × microcirurgia |
|---|---|
| Alívio da dor e função | equivalentes[1, 2] |
| Volta ao trabalho | cerca de 23 dias antes (metanálise de 2026, 4.186 pacientes)[1] |
| Internação | cerca de 2 dias mais curta[1] |
| Infecção | risco cerca de 60% menor[1] |
| Sangramento | menor[2] |
Na estenose, um estudo de 2024 da Scientific Reports, em 7 centros, comparou cirurgia aberta, uniportal e biportal em 115 pacientes. As três abriram o canal da mesma forma. Mas a cirurgia aberta perdeu mais músculo multífido (o músculo profundo das costas) nos exames de imagem e aliviou menos a dor lombar[6]. Numa revisão de 2024 de 43 ensaios randomizados (5.017 pacientes), a laminotomia assistida por endoscopia teve menos complicações que a laminectomia aberta (evidência de qualidade baixa)[7].
Antes, a concepção de muitos cirurgiões de coluna, na cirurgia aberta, era de que "podemos tirar a dor da perna, mas o paciente deverá aceitar, muitas vezes, a dor lombar". Na endoscopia, a dor lombar costuma ser menor, principalmente nos primeiros meses[6, 18]. Atribuo isso ao menor dano muscular: preservando a musculatura, a reabilitação fica mais rápida e menos dolorosa.
A endoscopia de coluna tem os riscos de qualquer cirurgia de coluna, com menos agressão aos tecidos: lesão da dura-máter (a membrana que envolve os nervos), hematoma, infecção, fraqueza ou formigamento passageiro e volta da hérnia[8, 9, 22].
Na biportal para estenose, uma metanálise de 2023 com 707 pacientes encontrou complicações em 8,1%: lesão da dura-máter em 4,5%, paralisia passageira em 2,6% e hematoma com sintomas em 1,1%[8]. Na hérnia, uma revisão de 2022 com 596 pacientes operados pela biportal encontrou complicações em 5,4%, mais frequentes no início da curva de aprendizado[9].
No total, a endoscopia da hérnia teve menos complicações do que a microcirurgia nos ensaios randomizados de uma metanálise de 2022: 5,5% contra 10,4%[10]. Mas a disestesia, um formigamento ou ardência passageira na perna, foi mais frequente[1, 10]. Em estudos menos rigorosos, também apareceram mais fragmentos de hérnia deixados para trás e mais reoperações[10].
Às vezes é preciso converter para a microcirurgia durante a cirurgia, e o paciente é avisado antes, como recomenda o Dr. Heo Dong-hwa, neurocirurgião do Hospital Cheongdam Harrison, em Seul, em vídeo de 2024. Na estenose antiga, a melhora pode ser gradual, como ele explica em outra aula. Acredito que, com técnica adequada, fundamentos sólidos e treinamento, o cirurgião consegue reduzir o risco de complicações.
Nos meus pacientes, a cirurgia endoscópica é feita com anestesia geral, dura de 20 minutos a 4 horas conforme o caso e, em média, a alta acontece em cerca de 1 dia.
Na Coreia, muitas endoscopias são feitas com anestesia local, como conta o Dr. Jang Geun-su, neurocirurgião do Hospital Cheongdam Harrison, unidade Songdo, no mesmo vídeo de 2024. Vejo isso como uma questão cultural: lá, o paciente tolera bem ficar acordado. Aqui, prefiro a anestesia geral, para o paciente ficar tranquilo.
| Cirurgia | Duração média, nos meus pacientes |
|---|---|
| Hérnia de disco | 20 a 35 minutos |
| Estenose, 1 nível | 30 a 45 minutos |
| Estenose, 2 níveis | cerca de 1h30 |
| Artrodese endoscópica | 3 a 4 horas |

Depois da endoscopia de coluna, o paciente costuma voltar à vida diária em 2 a 3 dias e ao trabalho de escritório em cerca de 2 semanas, segundo o neurocirurgião coreano Dr. Heo Dong-hwa. Na minha experiência, na estenose multinível e na artrodese, o retorno leva um pouco mais.
| Atividade | Quando, em geral (Dr. Heo Dong-hwa) |
|---|---|
| Vida diária | 2 a 3 dias |
| Trabalho de escritório | cerca de 2 semanas |
| Trabalho físico | 3 a 4 semanas |
| Caminhada leve | durante o 1º mês |
| Academia, natação e pilates | 2º mês |
| Golfe e tênis | 3º mês |
| Esportes de contato | 6º mês |
Os tempos da tabela são do Dr. Heo Dong-hwa, na aula de 2024, e concordo com eles. Na hérnia, a recuperação costuma ser mais rápida: nos meus pacientes, dirigir e trabalho de escritório nos primeiros dias, e academia aos poucos, em geral a partir de 3 semanas, junto com a fisioterapia. Nas primeiras semanas, oriento evitar dobrar a coluna, carregar peso e torcer o tronco, para ajudar o disco a cicatrizar. Na estenose multinível e na artrodese, sigo um protocolo de reabilitação ajustado a cada paciente.
A grande maioria dos pacientes com doença degenerativa da coluna pode ser candidata à cirurgia endoscópica. Idade e peso, por si só, não impedem a endoscopia de coluna[14, 16]. Pelo contrário: na minha visão, idosos e pessoas com obesidade estão entre os que mais se beneficiam de uma cirurgia menos agressiva.
Uma metanálise de 2026 com 5.753 pacientes mostrou que quem tem 80 anos ou mais melhora tanto quanto os mais jovens, sem mais complicações[14]. Em 107 pacientes com idade média de 84 anos e estenose grave, a biportal aliviou a dor e melhorou a função[15]. Na obesidade, resultados e complicações foram semelhantes aos de quem não tem obesidade, e a cirurgia endoscópica foi mais rápida que a aberta[16]. Na minha prática, outras doenças também não são impedimento por si só: a decisão depende da avaliação clínica e anestésica de cada paciente.
Quem já operou a coluna também pode operar por endoscopia: em 60 pacientes, um estudo de 2020 mostrou bons resultados na hérnia que voltou[17]. Nesses casos, acredito que a endoscopia pode ser uma das melhores opções de tratamento cirúrgico. Trato diversos pacientes que precisam rever cirurgias abertas antigas.
O custo da endoscopia de coluna soma o hospital, os materiais e a equipe médica, e muda conforme a complexidade e o número de níveis. O plano de saúde costuma cobrir o hospital e os materiais.
O valor de cada caso é informado depois da avaliação. A cobertura dos honorários da equipe varia conforme o plano, por isso vale confirmar antes, com o plano, o que está autorizado, inclusive os materiais. Também é importante que o paciente tenha confiança no médico e se sinta tranquilo com a decisão.
Atendo em São Paulo, no consultório do Paraíso (particular) e na Clínica Cedot, no Tatuapé (convênios aceitos pela clínica).
Não. A endoscopia de coluna é cirurgia: retira o osso, o ligamento ou o disco que comprime o nervo, sob visão da câmera. Os procedimentos que só cauterizam com laser ou radiofrequência são outra coisa, como explica o neurocirurgião coreano Dr. Heo Dong-hwa em aula de 2024.
Na minha prática, na maioria dos casos, sim. Quando há instabilidade e a fixação é necessária, a própria artrodese pode ser feita por endoscopia, com resultados semelhantes aos da técnica minimamente invasiva tradicional e menos sangramento[11].
Pode, sim. Uma metanálise de 2018 encontrou volta da hérnia em 3,6% dos pacientes, mais nos primeiros 6 meses e em quem tem mais de 50 anos ou sobrepeso[13]. Quando a hérnia volta, a reoperação também pode ser feita por endoscopia[17].
Procure um cirurgião com domínio da técnica e, de preferência, experiência com a uniportal e a biportal. As complicações são mais frequentes no início da curva de aprendizado[9]. Se houver dúvida sobre a indicação, buscar uma segunda opinião ajuda a decidir com tranquilidade.
Assinatura do autor
Texto revisado e assinado por Dr. Michael Minsu Shu · CRM-SP 170385 · RQE 128759 (Ortopedia e Traumatologia) · 21/10/2026
Paraíso: R. Des. Eliseu Guilherme, 200, conj. 706 e 708 · Tatuapé: Clínica Cedot, R. Fernandes Pinheiro, 456
(11) 93423-2341
Segunda a Sexta - De 08h00 às 17h00
Dr. Michael Minsu Shu · Ortopedista e cirurgião de coluna em São Paulo · CRM-SP 170385 · RQE 128759 (Ortopedia e Traumatologia)